08/09/2009

~Eterna criança

Sempre tive o maldito vício de guardar as coisas que ganho, desde um papel de bombom, cartões ou pedaços de plástico. Todo ano, naquela data que estamos cheios de expectativas, dia 31 de dezembro, minha mãe dizia: "Joga isso fora menina, já vai começar o ano guardando lixo!?" Recordo-me de correr a casa toda se assim fosse necessário com uma caixa de sapato nas mãos, cheia de minhas relíquias. Eu preferia ser jogada no lixo que me desfazer da minha imunda coleção.
Na medida que os anos foram passando fui me desfazendo de algumas dessas coisas. Sim, joguei muitas de minhas lembranças fora. Algumasdelas eu pensava "Ah, esse foi o plástico da bala que minha mãe me deu no dia que eu viajei de férias." Eu simplesmente não podia me livrar dele! Então ia escondida colar chicletes, pedaços de algodões ou de guardanapos em minha agenda. O que também não durava muito porque minha mãe sempre pegava a minha agenda e dizia: "Que porqueira, tua agenda é pra fazer propaganda de marcas e rótulos?"
Então eu simplesmente cansei! Decidi crescer, deixar de colecionar lixo e fazer coisas mais importantes e com certeza de maior utilidade.
Nos fins de ano, eu não precisava mais correr toda a casa com uma caixa de sapato nas mãos. Ah não, eu não precisava mais disso. Disse a mim mesma "que bom! Superei essa fase."
Confesso que no início era difícil jogar papéis fora. Uma vez ou outra cometi o pecado de guardar papéis de bala ou bilhetinhos entre as folas do meu caderno sem me dá conta ou tentando fingir que não estava entendendo nem me vendo fazer aquilo.
Há alguns dias estava arrumando a bagunça do meu quarto quando caiu de dentro do meu querido dicionário, é dicionário, dois papeis de bombom. Comecei a sorrir! Será que eu tinha mantido meu vício?
Senti-me invadida por uma estranha e familiar felicidade, meu tesouro de inutilidades existia!?
Dei um salto e de súbito comecei a vasculhar meus livros, cadernos, CD's, gavetas... Enfim,tudo no meu quarto que poderia ter algo dentro. Providenciei logo uma caixa de sapato!! E fui jogando dentro dela tudo o que encontrava. Para minha surpresa, quando terminei a minha busca a caixa estava completamente cheia! Sorri novamente...
A caixa está tampada em cima do meu guarda-roupa. Todos os dias olho pra ela e sinto a vontade estranha de sorrir de mim. Ela me fez vê que mesmo que tentassem mudar minha essência (imunda, confesso) não conseguiram. E cada uma das coisas que estão lá dentro resgatam um pedaço da menina que muitas vezes eu achei que tinha se perdido.
Ah, e se tentarem jogar minha caixa fora agora, eu juro que estou disposta a correr a casa toda com ela! Como eu fazia quando era criança, a criança que descobri que ainda vive em mim.

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Cintia disse...

Nossa Keilla q LINDOOO, adorei esse \o/
as pessoas sempre falam q nos gostamos daquilo q mais nos identificamos - e esse texto me trouxe tantas coisas boas; AMEI!

Parabens pelo belo texto, arrasou mais uma vez =)

 
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